CJE em pauta

20/05/2009

Para além das disciplinas

Filed under: Jornalismo — Arthur @ 5:07 pm

Pessoal, para pensar uma reforma mais ‘revolucionária’ do curso. É um texto daqueles que eu tipicamente desgosto, pois ele é abstrato. Mas, talvez, quem sabe, ele pode ser um norte… portanto, eis.

Afora alguma realocações a serem feitas, o curso de Jornalismo da ECA não é tão ruim no papel quanto falamos. No meu ver, falta uma disciplina de fotografia ou outra de teoria da comunicação. Mas não acho que esse seja realmente o grande problema do curso. O que falta, na minha visão, é uma maior sinergia entre as disciplinas.

Hoje, temos um sedutor cardápio de disciplinas optativas, tanto eletivas quanto livres. E, apesar de certa dificuldade, uma boa parte dos alunos possuem acesso a boas disciplinas da FFLCH, FEA, etc. O que se torna realmente quase impossível é conseguir fazer uma sequência de disciplinas que façam sentido. Por exemplo, se eu tiver afinidade por antropologia, quais são as disciplinas que farei por lá? Conseguirei todas? Elas farão sentido com o que eu já recebi de introdução nos primeiros anos de jornalismo, que eu acabei fazendo no departamento? E, talvez o mais importante: farão sentido com a prática jornalística?

Nesta toada, poderíamos falar de quaisquer outras áreas do conhecimento que são importantes para um estudante de jornalismo. Economia (e não estou falando da Bolsa de Valores), Filosofia, Geografia, História, Estatística (que devia ter uma optativa para o departamento, ao meu ver), entre vários, passam distantes. A impressão, ao chegar ao quarto ano, é que você conheceu muita coisa de orelhada. Você só vai saber de verdade aquilo que realmente corra atrás.

E qual seria, dada a realidade do nosso departamento, uma solução para que se incentive o estudante a buscar um conhecimento extra-classe mais profundo? Aí, eu acho que poderia entrar a tal Educomunicação. Nestes tais cursos introdutórios, como Fundamentos da Economia, Fundamentos Teóricos da História, e outros, poderíamos fazer reportagens tentando abordar os temas de cada disciplina. Basicamente, é optar pela interdisciplinaridade. Mas, para isso, os professores precisarão cooperar entre si

Taí um exemplo:

– Seria muito interessante se tivéssemos uma análise do discurso feita pela Rosana Lima, sobre a última edição do Jornal do Campus. Poderia ser uma aula conjunta, entre as duas disciplinas. Isso também poderia ser feito junto com o Atílio, de fotojornalismo.

Bom, é uma sugestão. Se pudéssemos caminhar neste sentido, acho que seria interessante.

Alguns precedentes

Filed under: Editoração — jmunizjr @ 5:05 pm
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Em 2002-2003, a grade curricular de Editoração passou por mudanças importantes, após um processo de discussão encabeçado pelos alunos, principalmente. Foram incluídas disciplinas cujos conteúdos eram lacunas no curso; outras disciplinas mudaram de nome para corresponder melhor ao que se esperava delas; outras foram excluídas da grade de obrigatórias. Nesse mesmo período, a grade de Jornalismo também passou por algumas mudanças (menores, ao que me parece). A seguir, comento dois pontos que foram importantes no caso de Edit:
1) A vontade de mudanças que tornem o currículo melhor esbarra na má-vontade de alguns professores, que não abrem mão de fazer as coisas do modo como sempre foi feito. Então, não adianta dizer que o conteúdo da disciplina X precisa mudar se o professor dessa disciplina instalou ali seu feudo intocável.
2) Não adianta que o professor esteja disposto a implementar mudanças se ele não está capacitado a isso. É flagrante que a ECA tenha alguns professores tão limitados…
Outro problema foi que a decisão de incluir duas disciplinas do CCA na grade de obrigatórias não foi acatada por esse departamento (ou pelo CJE, que, como sabemos, é pouco afeito às relações interdepartamentais).
Disso fica a lição: infelizmente os esforços para dar uma formação melhor aos alunos esbarra em interesses políticos nada louváveis. Por isso é tão importante que o diálogo envolva alunos e professores dos dois cursos, bem como gente dos outros departamentos. É preciso trocar ideias, pra não começar uma reforma curricular do zero.
Em breve pretendo escrever um pouco sobre “o que se espera de uma pessoa que se forma em Jornalismo ou Editoração”, porque isso também é essencial para a discussão que estamos começando por aqui. E, de cara, já lanço a pergunta: será que os dois cursos do departamento não andam meio desintegrados? Por que conteúdos como edição de texto, laboratório de revista e hipermídia não são dados a ambos os cursos de maneira integrada, para que os alunos troquem experiências e contribuam com suas respectivas formações?

16/05/2009

O ponta-pé inicial

Filed under: Críticas,Jornalismo — csouzaramos @ 11:16 pm

Eu vou começar falando sobre o semestre que estou cursando, o 5º semestre noturno. Para quem é do Jornalismo, sabe que é o semestre do JC, nosso Jornal do Campus. Terceiro laboratório do curso, acho que é produto da disciplina mais bem (ou menos pior) alocada na grade curricular. É uma disciplina que demanda uma prática anterior básica com laboratório e um certo conhecimento da universidade. Fosse feita antes, o produto seria prematuro, tanto na forma quanto no conteúdo; depois talvez houvesse mais problemas quanto aos prazos e ao próprio conteúdo, já que geralmente quanto mais avança o curso, mais alunos estão estagiando e menos tempo têm para se dedicar ao curso. Mas que poderia ser melhor, sem dúvidas. Poderia porque ainda estamos muito crus no jornalismo para fazer um jornal que é lido por tanta gente e geralmente gera repercussão na comunidade uspiana. A Agência Universitária de Notícias (AUN) dá uma certa base tanto para o texto jornalístico como para um maior contato com a USP. Mas acho que ainda é preciso uma formação inicial para o texto jornalístico, algo que iniciasse o aluno recém-chegado do esquema colégio-cursinho-decoreba ao que é um texto jornalístico tradicional, como conseguir informações, etc. Daí sim, com essa noção básica, o aluno pode escrever uma matéria para um jornal-laboratório. 

O que coloquei apontam para dois problemas que para mim são os maiores problemas do curso: 

1- Há boas disciplinas, mas que estão no semestre errado.
O maior exemplo disso é o Notícias do Jardim São Remo. Ver aquele mural (hoje só uma parede) com o jornal inteiro rabiscado pelos veteranos pode parecer engraçado, mas na verdade é vergonhoso. Vergonhoso não para o aluno do 1º ano que foi lá na SR interessado, se esforçou para apurar, escrever e fechar (três coisas que ninguém tem noção antes de entrar na faculdade), mas é vergonhoso pra USP. Oferecer um jornal de baixa qualidade (basta ver os erros apontados lá em caneta azul) para uma comunidade que já não tem voz na mídia e na sociedade é uma ofensa enorme aos são remanos, além de ser um balde d’água fria para o aluno que, no fim do semestre, viu que seu trabalho foi repetitivo e superficial. Este é o tipo do jornal que deveria estar na outra ponta do curso, quando o aluno já passou por uma formação teórica e prática para oferecer um jornal que tenha alguma função social na comunidade para além de embrulhar peixe. 

2- Faltam disciplinas de formação básica do aluno para o jornalismo.
Vamos pegar o exemplo-aberração do Jornal São Remo novamente. Além do estudante chegar ao curso sem ter noções básicas de texto jornalístico, ele é obrigado a diagramar um jornal inteiro sem noções básicas de design. Parece até piada. É como pedir para um recém saído do colegial que faça um planejamento financeiro de uma empresa ou pedir para um arquiteto que desenhe a planta de uma casa sem terem noções de cálculo. Também acho que faltam disciplinas básicas como antropologia e sociologia, que agora vai ser incusive cobrada no Ensino Médio. 

Estes dois pontos, se não são consensuais, sei que são compartilhados por muitos alunos. Outro mais polêmico que gostaria de citar só para fechar é:

3- Professores. Existem disciplinas necessárias, que estão no semestre ideal, mas são ministradas por professores especializados em outra área. Assim como também existem professores cuja aula é de qualidade questionável, ou que simplesmente não dão aula, e por aí vai. 

Mas gostaria de começar a discussão só nos dois primeiros pontos, ou talvez só no primeiro. Acho que para um início de reestruturação do curso, a realocação de algumas disciplinas já seria um ótimo começo. Para citar mais exemplos de disciplinas que considero fora do “timing”:

– Teoria da Comunicação: muito cedo para pautar um conteúdo denso e abstrato para estudantes que acabaram de sair das aulas-decoreba do colegial e cursinho. O aluno aproveita muito menos do que poderia da aula se a cursasse em outro semestre.

– Conceitos e Gêneros do Jornalismo: depois de três semestres de jornalismo e dois jornais-laboratório, a turma do noturno aprende conceitos que se atribuem a sua futura profissão e gêneros de textos jornalísticos. Ou seja, é chover no molhado. Mesmo para a turma do matutino já é tarde demais. A quantidade de ausências nessas aulas é sintomática.

– Elementos do Fotojornalismo: a aula é muito boa, mas poderia ser dada antes, já que temos jornal-laboratório antes. Se a imagem também comunica, por que nos focamos tanto só em texto no início do curso? A mesma crítica vale para Telejornalismo e Radiojornalismo. Embora eu ainda não tenha cursado essas, já estou na metade do curso e sinto falta de um conhecimento de produção audiovisual. Fica parecendo que são formas acessórias de jornalismo.

Aí vão falar “ah, mas todo primeiro anista tem ‘Jornalismo no Rádio e na TV’”. Mas ela não despertou em mim o interesse pela prática em rádio nem TV. Nem apresentou a história do rádio ou da televisão. Essa é uma disciplina que eu encaixaria num quarto tipo de problema, o de falta de proposta clara para a disciplina. Lembro-me que a única proposta era fazer dois trabalhos de rádio e um de vídeo. Não tinha nem um cronograma, só prazos para a entrega dos trabalhos. Mas vou deixar esse tipo de crítica para depois. Melhor terminar por aqui, assim ninguém desiste de ler pelo tamanho do texto.

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