Eu vou começar falando sobre o semestre que estou cursando, o 5º semestre noturno. Para quem é do Jornalismo, sabe que é o semestre do JC, nosso Jornal do Campus. Terceiro laboratório do curso, acho que é produto da disciplina mais bem (ou menos pior) alocada na grade curricular. É uma disciplina que demanda uma prática anterior básica com laboratório e um certo conhecimento da universidade. Fosse feita antes, o produto seria prematuro, tanto na forma quanto no conteúdo; depois talvez houvesse mais problemas quanto aos prazos e ao próprio conteúdo, já que geralmente quanto mais avança o curso, mais alunos estão estagiando e menos tempo têm para se dedicar ao curso. Mas que poderia ser melhor, sem dúvidas. Poderia porque ainda estamos muito crus no jornalismo para fazer um jornal que é lido por tanta gente e geralmente gera repercussão na comunidade uspiana. A Agência Universitária de Notícias (AUN) dá uma certa base tanto para o texto jornalístico como para um maior contato com a USP. Mas acho que ainda é preciso uma formação inicial para o texto jornalístico, algo que iniciasse o aluno recém-chegado do esquema colégio-cursinho-decoreba ao que é um texto jornalístico tradicional, como conseguir informações, etc. Daí sim, com essa noção básica, o aluno pode escrever uma matéria para um jornal-laboratório.
O que coloquei apontam para dois problemas que para mim são os maiores problemas do curso:
1- Há boas disciplinas, mas que estão no semestre errado.
O maior exemplo disso é o Notícias do Jardim São Remo. Ver aquele mural (hoje só uma parede) com o jornal inteiro rabiscado pelos veteranos pode parecer engraçado, mas na verdade é vergonhoso. Vergonhoso não para o aluno do 1º ano que foi lá na SR interessado, se esforçou para apurar, escrever e fechar (três coisas que ninguém tem noção antes de entrar na faculdade), mas é vergonhoso pra USP. Oferecer um jornal de baixa qualidade (basta ver os erros apontados lá em caneta azul) para uma comunidade que já não tem voz na mídia e na sociedade é uma ofensa enorme aos são remanos, além de ser um balde d’água fria para o aluno que, no fim do semestre, viu que seu trabalho foi repetitivo e superficial. Este é o tipo do jornal que deveria estar na outra ponta do curso, quando o aluno já passou por uma formação teórica e prática para oferecer um jornal que tenha alguma função social na comunidade para além de embrulhar peixe.
2- Faltam disciplinas de formação básica do aluno para o jornalismo.
Vamos pegar o exemplo-aberração do Jornal São Remo novamente. Além do estudante chegar ao curso sem ter noções básicas de texto jornalístico, ele é obrigado a diagramar um jornal inteiro sem noções básicas de design. Parece até piada. É como pedir para um recém saído do colegial que faça um planejamento financeiro de uma empresa ou pedir para um arquiteto que desenhe a planta de uma casa sem terem noções de cálculo. Também acho que faltam disciplinas básicas como antropologia e sociologia, que agora vai ser incusive cobrada no Ensino Médio.
Estes dois pontos, se não são consensuais, sei que são compartilhados por muitos alunos. Outro mais polêmico que gostaria de citar só para fechar é:
3- Professores. Existem disciplinas necessárias, que estão no semestre ideal, mas são ministradas por professores especializados em outra área. Assim como também existem professores cuja aula é de qualidade questionável, ou que simplesmente não dão aula, e por aí vai.
Mas gostaria de começar a discussão só nos dois primeiros pontos, ou talvez só no primeiro. Acho que para um início de reestruturação do curso, a realocação de algumas disciplinas já seria um ótimo começo. Para citar mais exemplos de disciplinas que considero fora do “timing”:
- Teoria da Comunicação: muito cedo para pautar um conteúdo denso e abstrato para estudantes que acabaram de sair das aulas-decoreba do colegial e cursinho. O aluno aproveita muito menos do que poderia da aula se a cursasse em outro semestre.
- Conceitos e Gêneros do Jornalismo: depois de três semestres de jornalismo e dois jornais-laboratório, a turma do noturno aprende conceitos que se atribuem a sua futura profissão e gêneros de textos jornalísticos. Ou seja, é chover no molhado. Mesmo para a turma do matutino já é tarde demais. A quantidade de ausências nessas aulas é sintomática.
- Elementos do Fotojornalismo: a aula é muito boa, mas poderia ser dada antes, já que temos jornal-laboratório antes. Se a imagem também comunica, por que nos focamos tanto só em texto no início do curso? A mesma crítica vale para Telejornalismo e Radiojornalismo. Embora eu ainda não tenha cursado essas, já estou na metade do curso e sinto falta de um conhecimento de produção audiovisual. Fica parecendo que são formas acessórias de jornalismo.
Aí vão falar “ah, mas todo primeiro anista tem ‘Jornalismo no Rádio e na TV’”. Mas ela não despertou em mim o interesse pela prática em rádio nem TV. Nem apresentou a história do rádio ou da televisão. Essa é uma disciplina que eu encaixaria num quarto tipo de problema, o de falta de proposta clara para a disciplina. Lembro-me que a única proposta era fazer dois trabalhos de rádio e um de vídeo. Não tinha nem um cronograma, só prazos para a entrega dos trabalhos. Mas vou deixar esse tipo de crítica para depois. Melhor terminar por aqui, assim ninguém desiste de ler pelo tamanho do texto.